Sambão e Sinhá, às suas ordens!
Paulo Cezar Guimarães
"Um belo sábado logo que o grupo chegou para o “regabofe” semanal, Hélio colocou o telefone ao lado, abriu uma folha de papel com quadradinhos numerados e disse: "
Quem me contou essa história foi um amigo frequentador de um dos meus blogs, o Mário (não me perguntem quem é o Mário).
Ele lembra que tudo aconteceu no final dos anos 70, começo dos 80, quando existia na Rua Constante Ramos, em Copacabana, uma casa de shows chamada Sambão & Sinhá, comandada pelo cantor e humorista Ivon Curi. Nessa época, a casa vivia sempre cheia, havendo necessidade de reserva, principalmente nas noites de sábado.
Era uma época em que os bairros do Rio tinham as chamadas “Turmas de Rua”. Mário fazia parte de uma que frequentava a praia ali pela altura da Rua Bolívar, posto 5, próximo ao Sambão e Sinhá. No final da tarde, Mário e sua turma passavam pelo clube Olympico, na Rua Pompeu Loureiro, para beber umas cervejinhas e jogar conversa fora à beira da piscina.
Um casal amigo desta turma, Hélio e Maria, um pouco mais velhos que a média de idade da patota, que não era muito de ir à praia, costumava esperar o grupo no clube.
Maria era mineira, uma senhora cozinheira, e, normalmente, já deixava pronto em casa, na Rua Bulhões de Carvalho, conhecida como “Rua do Quase Quase”, um feijão, uma rabada, um mocotó ... “Comidinhas leves para um final de sábado”, como lembra Mário.
O número do telefone do apartamento deles era diferente do Sambão & Sinhá apenas pelo último algarismo. Como a telefonia naquela época era bastante ruim, bem mais do que agora, o pessoal que ligava para fazer reserva no Sambão & Sinhá caía no telefone do Hélio e da Maria, quando a linha original estava ocupada.
No começo, quem atendia sempre avisava que era engano e pedia para ligar novamente. Chegava-se a deixar o telefone fora do gancho, pois, caso contrário, a mesma ligação retornava errada.
Um belo sábado logo que o grupo chegou para o “regabofe” semanal, Hélio colocou o telefone ao lado, abriu uma folha de papel com quadradinhos numerados e disse:
“Ninguém atende o telefone”.
Na primeira vez em que o aparelho tocou, Hélio atendeu, empostou a voz e disse solenemente:
"Sambão & Sinhá, às suas ordens".
Diante da gargalhada coletiva, contou que no meio da semana tinha ido jantar no restaurante e que preparou um desenho aproximado da disposição das mesas, bar, palco etc...
Desse sábado em diante, nunca mais houve enganos nas ligações recebidas. Todas as reservas eram feitas, com opções de perto do palco, à direita do bar ou mesa central. O grupo ria muito pensando na confusão que, imaginavam, deveria ocorrer mais tarde.
Hélio e Maria não aprontam mais suas brincadeiras aqui embaixo. Segundo Mário, devem estar pregando suas peças lá em cima.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Muito bom, PC.
Não deixe a crônica morrer, não deixe a crônica acabar, o Rio foi feito de crônica, de crônica prá gente curtir!
Professor:
Por causa di quê será que a grande maioria dos blogs não trazem um e-mail - pelo menos que esteja bem visível - para a gente se comunicar direto e em off com seus titulares. Os seus mesmo não trazem, que eu procurei e não achei nada. Será que os blogueiros só estão interessados nas mensagens relacionadas diretamente aos tópicos postados. Esse é um fenômeno interessante a ser analisado.
Abração.
Postar um comentário