Como unha e cutícula
Paulo Cezar Guimarães
“As más línguas dizem que ele ao dormir ronca e baba na fronha, além de soltar gases poluentes ao ambiente. Por isso é acordado às 5 da manhã para vir logo para a entidade...”
AGORA VIROU MODA divulgar pela Internet as asneiras cometidas por estudantes de Comunicação em concursos para jornais, mas ao longo dos anos que dou aulas, venho colecionando verdadeiras pérolas capazes de fazer a alegria de Stanislaw Ponte Preta, se vivo fosse, preenchendo páginas e páginas do seu febeapá..
E tome “quiz”, “previlégio”, confusão entre a e há e muitas coisas capazes de corar a Ofélia, personagem daquele programa da Globo que fazia dupla com o ator Lúcio Mauro.
Mas é claro que há excessões (com dois s). Passaram pelas minhas mãos (no bom sentido é bom que se esclareça) gente como Carla Vilhena, João Pedro Paes Leme, Murilo Fiúza, Aziz Filho, Jason Vogel, Gioconda Brasil; hoje brilhando nos jornais, revistas e tvs.
E quando alguns se metem a fazer gracinhas? Num texto em que peço aos alunos para usarem da criatividade, já pintou coisa como “Dom Eugênio tomando água de coco em um quiosque em Copacabana”, “O bom de saltar um pum é que você não sabe de onde vai, nem de onde vem”,
Tem um trabalho de aluno que até hoje guardo e mostro como exemplo de imbecilidade em minhas aulas. Pedi uma entrevista em forma de pingue-pongue (perguntas e respostas) e o aluno ou viajou, ou me gozou ou é burro mesmo. Começava assim: “A ´idéia´ coordenada da desestruturação do ponto de vista psicológico não tem como estrutura arquivada da idéía principal do dissimulador”.
E continuava: “A origem não fornece dados ao conhecimento da maneira que a linguagem encadeia a atividade da ponderação psicológica da lógica a sua linguagem elabora a experiência da informação do ser”.
No final, ele ainda fez uma espécie de pedido: “Faça a análise da coordenação do sensorial do poder crítico da linguagem desestruturada da idéia psicomotora?“.
Mas não é apenas de universitários que coleciono asneiras. Guardo até hoje comigo um texto cometido por um sujeito que se diz jornalista e que assessorou uma entidade bastante conhecida no Rio de Janeiro. Certa vez, ele me procurou para me passar um “release” que tinha escrito em homenagem a um associado, que estava para completar 50 anos trabalhando no Brasil.
"Você não vai ter nenhum trabalho. O texto já está pronto. Eu mesmo fiz", disse ele.
E me passou o texto, que logo no início colocava o homenageado em uma situação pelo menos polêmica:
“...Esse seu jeito autêntico e inimitável, torna-o uma pessoa amada por uns e odiada por outros...”
Indisciplinada também: “Recordista em suspensões, nosso homenageado aos poucos se adaptou ao sistema e métodos da nossa entidade e não a nossa entidade a ter que adaptar-se aos seus sistemas e métodos”.
De personalidade forte, com certeza: “... Revolucionário nato, falando sempre alto, jogando a agenda no chão e operando de uma forma séria e eficiente, ele sempre foi homem de confiança para realizar-se um bom negócio. Na realidade a nossa entidade está para o nosso homenageado como o cérebro está para o coração; um não vive sem o outro..”
Mas de difícil convivência:
“As más línguas dizem que ele ao dormir ronca e baba na fronha, além de soltar gases poluentes ao ambiente. Por isso é acordado às 5 da manhã para vir logo para a entidade...”
No final, nosso assessor deu uma suavizada e passou uma mensagem digamos assim bastante positiva:
“Hoje este patrimônio ambulante tem uma relação com seus patrícios de irmão para irmão; como unha e cutícula”.
domingo, 22 de março de 2009
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4 comentários:
Com um assessor assim, quem precisa de inimigos? rs o jornalista tem quer coeso e coerente, direto sem ser prolixo e objetivo sem esquecer dados fundamentais! eé isso, apareça por lá , pc...já linkamos esse blog lá pelo maldita e nosso programa ta rolando as segundas na Flu 540 am, dê seus pitacos nos palavrões, a origem! abs, leandro
Obrigado pela visita e comentário, Leandro. Desculpe a demora na resposta. Tenho uma falha: nem sempre confiro esse blog. Imperdoável. Faz com que eu demore a responder comentários tão gentis como o seu. Vou lá. grande abraço.
pc
ainda bem que você me incluiu nas "excessões", senão eu ia dizer que a culpa foi sua!!! rsss
Lembro das suas aulas com muito carinho.
beijos
Carla vilhena
Carla! Que honra! Só agora fui ver a sua mensagem. Muito obrigado. Por ler, comentar e, principalmente, elogiar o professor (rs).
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