terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pedro Malan de onde? (Nova)

Pedro Malan de onde?

Já fui senador Paulo Cezar Guimarães,
monsenhor, deputado, general,
comendador e até "amigo do hômi".


- Quem deseja?
- Pedro Malan.
- Pedro Malan de onde?


Como tenho um nome bastante comum, quase sempre que ligo para alguém, ouço a pergunta:
- Paulo Cezar de onde?

Já fui Paulo Cezar do Globo, Paulo Cezar da Souza Cruz, Paulo Cezar da LBA, Paulo Cezar da Petroquisa, Paulo Cezar da revista Imprensa. Fui até Paulo Cezar do Jornal do Brasil - embora nunca tenha trabalhado no jornal da Condessa.

No início da minha carreira, estagiei no Diário de Notícias na fase em que o jornal já estava moribundo. E todo mundo sabe que não se atende telefonema de repórter de empresa falida. Então, cansado de nunca ser correspondido, passei a dizer que era do JB toda vez que queria fazer uma entrevista. Foi a forma que encontrei para ser recebido pelas fontes e não ouvir o "volta amanhã".

Hoje, sou Paulo Cezar professor da FACHA. Também já fui Paulo Cezar da Portafolio, Paulo Cezar da Aberje. No meu prédio, Paulo Cezar do 204. Para os amigos da minha filha, sou o Paulo Cezar, pai da minha filha.

Como forma de descontrair e relaxar, passei a fazer parte do grupo de
pessoas que se identificam com outro nome, de preferência de alguma personalidade.

Por conta disso, já fui Nascimento Brito, Boris Casoy (Doris o quê?, costumo ouvir), Artur Sendas, Vitor Fasano, Francisco Cuoco, Andrezinho, do grupo Molejo, Renato Gaúcho.

Tem gente que ri, tem gente que estranha, mas todos passam o recado adiante.

Para "confundir" alguns, já fui Mário Jorge Lobo, Artur Antunes Coimbra, Manoel Francisco dos Santos, Edson Arantes do Nascimento. Já fui senador Paulo Cezar Guimarães, monsenhor, deputado, general, comendador e até "amigo do hômi".

Um de meus "nomes" preferidos já foi José Carlos dos Reis Encina, famoso traficante carioca, que se tornou celebridade nacional ao escapar de um presídio usando um helicóptero. É curioso que, como muita gente conhece o verdadeiro nome de Escadinha, já atende rindo e dizendo:
- Fala PC!

Aprendi essa "gracinha" há muitos anos com o meu saudoso e querido amigo Lanning Elwis, o jornalista mais irreverente que conheci, meu sócio no começo da agência. A primeira vez que fui "vítima" trabalhava na Souza Cruz.

E ainda não tinha proibido minha secretária de atender o telefone e
perguntar "fulano de onde?".

- Lanning de onde? - perguntou Rosângela.

- É o professor de balé dele - respondeu.

"PC: tem um cara no telefone dizendo que é o seu professor de balé!"

Rosângela ainda atendeu muitos telefonemas do Lanning, mas nunca mais caiu na brincadeira. Sabia bem quem era o doutor Roberto (Marinho). Uma vez, meu chefe não deixou Lanning subir. Conhecia também quem era o Hipólito da Costa que estava na recepção da empresa. Hipólito, todos sabem, foi o primeiro jornalista brasileiro.

Hoje virou moda. Todo mundo é professor de balé. Ou melhor, muitos repetem esta brincadeira do Lanning. Mas acho que foi ele quem inventou. E já se passou muito tempo!

Ainda na linha do "quem é o senhor?", gostaria, antes de terminar, de contar uma historinha que presenciei há alguns anos e que passei para a coluna "Informe JB", à época editada pelo Marcelo Pontes. Vocês lembram do João Batista de Oliveira Figueiredo, autor da célebre frase "Me esqueçam!?"

Eu estava no Oculistas Associados, em Botafogo, e ele chegou. Se aproximou da recepcionista, disse que tinha hora marcada. A mocinha quis saber:

- Qual o seu nome?

- João - respondeu humildemente o ex-presidente da República.

- João de quê? - perguntou de novo a recepcionista.

- Figueiredo. João Figueiredo.

- O senhor tem plano de saúde?

- Não.

- Então seu João, senta ali naquele banquinho e aguarde a sua vez de ser atendido.

Não foi João de onde, foi João de quê. Por isso, não me surpreendi outro dia, quando me apresentei como Pedro Malan e a secretária de meu amigo quis saber de onde era esse tal de Pedro Malan.

0 comentários: