terça-feira, 4 de novembro de 2008

O repórter e o juiz (Nova)

O repórter e o Juiz
Paulo Cezar Guimarães

"Atenção: a fonte é o Juiz Fulano de Tal,
que pediu para não ser identificado.".


A HISTÓRIA É conhecida no Rio e não leva muito jeito de ser "lenda urbana". Mas o fato é que liquidou a carreira de um repórter promissor na década de 70.
Nomeado o novo Juiz de Menores no Rio de Janeiro. Correria na Redação e a decisão previsível:

"Vamos ouvir o homem!".

Só que ninguém conhecia fisicamente o sujeito e muito menos o seu paradeiro.

"Procura no catálogo".

E assim foi feito. Local da entrevista: Hotel Copacabana Palace (aqui pode começar a lenda; tem gente que jura que foi na casa do homem).

De bermudas, chinelos, descontraído, à beira da piscina, o Juiz recebe o repórter com uma simpatia incomum.

"E então? O que você quer saber?"

É difícil prever o tempo da entrevista. Mas, a julgar pelo local e ambiente, deve ter durado um bom tempo.

Dia seguinte. Primeira página do jornal:

"Novo Juiz de Menores afirma que..."

Confusão na Redação. A cabeça do repórter é colocada na bandeja, embora a matéria tenha passado por um batalhão de chefes, editores e redatores.

Ninguém apareceu para questionar: "Será que esse cara é mesmo o Juiz de Menores nomeado? Checaram direito?"

Não checaram. Advogado, um tremendo "cara de pau", resolveu tirar onda com o jornal e fingiu ser o novo Juiz.

Procurado pelo repórter, esclareceu:

"Em nenhum momento da entrevista eu disse que era o Juiz de Menores. Sou advogado, trabalho na Vara de Família. Você me fez um monte de perguntas sobre assuntos que eu lido no dia-a-dia e o que fiz foi apenas dar minha opinião."

E tem também aquela da Therezinha e a matéria em off. Esta é curta e grossa.

Um outro Juiz deu uma entrevista para a colega, mas não quis se identificar.

Therezinha usou o tradicional "Uma fonte..." em toda a matéria e anotou na observação (ainda era no tempo da lauda): "Atenção: a fonte é o Juiz Fulano de Tal, que pediu para não ser identificado.".

Dia seguinte, matéria publicada, jornal nas bancas. Título e logo abaixo, antes do lide, a abertura em negrito:

"Atenção: a fonte é o juiz ..."

Parece até aquela história do Maurício Menezes: "Todas as cópias para o editor". Mas essa, quem não assistiu ao show, deve perguntar para ele.

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