domingo, 5 de outubro de 2008

O dia em que a Internet me deixou na mão: "Se sumiu, ninguém sabe, ninguém viu"

Se sumiu, ninguém sabe, ninguém viu
Paulo Cezar Guimarães

"Mestre, acessamos aquele site que você nos divulgou
e não encontramos nenhum artigo seu.
em certeza de que nos deu o endereço correto?"


CHEGO EM LISBOA, e encontro meu querido amigo Victor Baltazar, presidente da Associação Portuguesa de Comunicação Empresarial.

- O Paulo Cezar vai ficar muito satisfeito por saber que sou seu leitor. Tenho lido todas as suas crônicas aqui em Portugal.

- É claro que fico todo bobo.

Em sua sala, na Avenida da Liberdade, centro de Lisboa, além de nós dois, um diretor da empresa onde ele trabalha fica curioso e pede para ler uma dessas tão elogiadas crônicas. Fico meio sem graça, mas acho a idéia ótima. Recomendo, em especial, a “(Quase) todo repórter é mal educado e (quase) todo assessor de imprensa é um chato”. Lembro também da “Enquete do Sarmento”, que chegou a ser republicada na última coluna assinada por Renato Maurício Prado, em O Globo. Victor chama mais três executivos para ouvir. Em volta do computador, todos atentos quando o site www.aberje.com.br começa a aparecer na tela.

- Agora é só clicar no ícone “artigos” – informo ao meu amigo.

Nada...! Victor corre o cursor pela série de artigos publicados e não encontra o meu nome em nenhum deles. Fico meio sem graça.

- Ué! – é a única coisa que consigo dizer.

Enquanto Victor volta à tela inicial, todos trocam olhares meio sem graça.

- Está lá, Paulo Cezar. Tem um aqui: “Quatro na sessão das duas”.

Outro clic, e nada. O artigo não aparece na tela. Fico sem saber o que fazer. Só faltava eu dizer “Isso nunca aconteceu comigo”, mas prefiri sorrir amarelo.

-Será que foi um hacker? – pergunta um dos presentes.

Olho meio desconfiado para o sujeito e penso em lusitano: “Ô pá, acho que esse cara está a me ‘sacaniare’.”

Desistimos e saimos para assistir ao show de Mafalda Arnauth, a nova sensação do fado. Ainda sem graça, perguntei ao meu amigo:

- E agora? Pegou mal, né? Será que eles vão acreditar que eu escrevo mesmo?

- Esqueça, ô Paulo Cezar. Isso acontece.

Volto ao Brasil e mando imediatamente uma mensagem para o Paulo Nassar: “Paulo, meus artigos sumiram. O que houve? Quebrei alguma xícara ou derrubei café no tapete na última reunião da Aberje? Fiz xixi na tampa da privada?” No mesmo dia, Paulo me responde: “Também não entendi nada, PC. Nada pessoal. Vou apurar”. Dia seguinte, vou dar aula, e dois alunos se aproximam de mim:

- Mestre, acessamos aquele site que você nos divulgou e não encontramos nenhum artigo seu. Tem certeza de que nos deu o endereço correto?

Tento explicar. Eles fazem uma cara estranha. Imagino que estejam pensando que é blefe meu. (“Esse cara é um tremendo enrolador. Agora cismou que é escritor”- eles devem estar pensando). Outro aluno, conhecido por seu temperamento desligado, chega todo sorridente para mim:

- Mestre, acabei de ler todos os seus artigos. Adorei. Principalmente aquele sobre o Rivaldo.

- Artigo sobre o Rivaldo? Nunca escrevi sobre isso...

- Só não entendi uma coisa, mestre. Se seu nome é Paulo Cezar Guimarães e seu apelido é PC, por que você assina os artigos com o nome de Paulo Nassar?

Caramba! O maluco leu todas as crônicas do Paulo pensando que eram minhas. Aproveito o engano e envio novo e-mail para o Nassar contando o mal-entendido. Tento saber se já conseguiram resolver o problema. Nada...! Pior é que começo a ficar preocupado. Será que alguém roubou minhas crônicas? Começo a delirar. Será que foi o Luis Fernando Veríssimo? Esse cara nunca me enganou. Deve estar sem idéias, me descobriu e resolveu me copiar. E se foi alguém do New York Times? Já pensou Pczinho do Grajaú nas páginas do jornal mais famoso do mundo? Mais tarde, com os pés quase no chão, lembro de uma antiga mania do Brizola, e imagino: Deve ser um complô das Organizações Globo contra mim. Trata-se de um conluio e eu não vou permitir. Mas ainda tenho esperanças. Afinal, sou botafoguense e passei 21 anos esperando o meu time ser campeão. Antes de fechar este artigo, vou lá na página da Aberje ver se minhas crônicas voltaram. Alguém me acompanha?

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