Erro no jornal dos outros é refresco
Paulo Cezar Guimarães
“Acho que você não está me entendendo, Caban:
um erro desses é passível de demissão”, insistiu.
HENRIQUE CABAN, antigo chefe de redação de o Globo, conhecido pelo seu temperamento explosivo, estava lendo, calmamente, o jornal na sala de Evandro Carlos de Andrade, então diretor de Jornalismo, quando adentra um alto executivo da empresa com um jornal dobrado nas mãos. Zangado, ele botou o jornal em cima da mesa e perguntou:
“Caban, você não acha que um erro desses no título de primeira página do jornal é inadmissível?”
Caban leu a manchete, constatou o erro (era um erro de português grosseiro, algo como uma palavra que se escreve com "s", escrita com "c") e concordou:
“E o que você pretende fazer?”, perguntou o executivo.
Caban ficou calado, olhando para o jornal e para o sujeito que, diante da impassividade do austero chefe, tornou a protestar:
“Acho que você não está me entendendo, Caban: um erro desses é passível de demissão”, insistiu.
“Também acho”, respondeu Caban.
“E então?”, cobrou o executivo, abanando a folha de jornal diante de Caban, que, meio sem graça, respondeu:
“OK, faz o seguinte: me autoriza a ligar para o Walter Fontoura, no Jornal do Brasil, que eu peço a demissão do responsável pelo erro".
“Como assim?”, perguntou o executivo.
“Não sei se o senhor percebeu, mas o jornal que tem nas mãos não é o Globo; é o JB”.
domingo, 5 de outubro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
PC, assim não tem como acompanhar!!! Se continuar nesse ritmo(4 por dia) daqui a um mês vão ser 120 crônicas!!! Espero que já tenha escrito tantas!! Um livro, eu acho que tem cerca de 40 - 45 crônicas!!!
Abs!
hehe
Vou dar um tempo. É que queria abrir em alto estilo. Espero. Tenho muitas.
Obrigado, mais uma vez, pela força.
Postar um comentário