Churrasquinho de carteira
Paulo Cezar Guimarães
Zé Roberto ficou sem saber exatamente do que se tratava
mas espalmou as mãos para receber o “presente”.
DEPOIS DE longa data enrolando o filho mais novo do patrão, Carmo, um despachante que prestava serviços para o pessoal da redação de O Globo, chega todo alegre com a carteira de motorista de José Roberto Marinho, e pede para Soninha (então secretária da Redação) entregar ao nosso “companheirinho”. Quando ela se preparava para entregá-la, Carmo diz:
“Espera aí... Vamos entregar a carteira plastificada, bonitinha...”.
E Sônia:
“Não precisa... deixa assim mesmo”.
“Me dá ela aqui. Vou lá na Pesquisa, e num minuto volto com ela plastificada. (É bom explicar que, à época, o Departamento de Pesquisa do Globo tinha acabado de receber uma máquina de plastificação, mas ninguém ainda dominava bem o seu uso)
“Carmo, vê lá o que você vai fazer... ninguém lá sabe direito mexer com aquela máquina...”
“É mole... pode deixar”. E subiu com a carteira do Zé na mão.
Dez minutos depois, volta ele, com cara de idiota. Nas mãos, os fragmentos torrados da carteira do Zé Roberto. Ele também não sabia mexer na máquina, e simplesmente queimou a carteira. Foi um acesso de riso geral.
“Bem feito. Isso é para você deixar de ser puxa-saco”, brincou Soninha.
Ela, então, pegou o que restava da carteira e foi entregar a José Roberto.
“Zé, abre a mão. Tenho uma surpresinha para você”.
Zé Roberto ficou sem saber exatamente do que se tratava mas espalmou as mãos para receber o “presente”.
“Toma. Sua esperada carteira de motorista”, disse Sônia.
E despejou aquele monte de papel queimado nas mãos dele.
José Roberto deu uma sonora gargalhada e disse ao Carmo:
“Carmo, quero outra. E por favor, dessa vez, não plastifica não, tá?”.
domingo, 5 de outubro de 2008
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